Por Allana Martins
Quem quer ser um milionário? Esse é o título de um filme e a temática de alguns programas televisionados em que as pessoas respondem às perguntas sorteadas pelos computadores sobre temas diversos e conforme acertam as respostas avançam para as próximas etapas em busca do idealizado um milhão de reais!
Na era da inteligência artificial temos modelos generativos que nos trazem respostas desde perguntas banais à estratégicas. Apesar de não ganharmos dinheiro nesse jogo, obtemos ganhos de resultados e auxílios na elaboração de documentos, materiais descritivos, bases de dados e muitas outras funcionalidades que a tecnologia a cada dia nos apresenta, afinal, o futuro já começou!
Tais fatores despertam a reflexão sobre a qualidade da nossa comunicação, tanto on-line quanto no mundo presencial. Se, ao interagir com ferramentas de IA, precisamos contextualizar informações, definir os dados a serem analisados e estabelecer diretrizes para a interpretação de documentos; paralelamente nas relações humanas contamos com um diferencial essencial: sentimentos, habilidades cognitivas naturais, percepção da linguagem da voz, gestos e outras nuances que fazem parte da essência humana.
Na frase “somos responsáveis pelo que falamos e não pelo que os outros entendem”, temos que fazer uma ressalva. No mundo atual também somos responsáveis por checar como o receptor da mensagem entendeu e processou o que foi comunicado. Não basta falar, escrever ou perguntar; também precisamos acompanhar os retornos e aprimorar a continuidade do diálogo ao considerar que nossa intenção é de colhermos bons resultados das conversas.
O nível de qualidade dos inputs que são indicados nos prompts para as ferramentas de IA é essencial para a precisão das respostas geradas. Essa lógica também se aplica às interações humanas. A comunicação vai além das palavras escritas ou faladas; envolve gestos, posturas, emoções, expressões faciais – elementos que nem a IA generativa e nem os robôs humanoides conseguem reproduzir com a mesma naturalidade e exatidão humana.
Vale ressaltar que a IA é uma tecnologia que tem sido aprimorada para auxiliar na execução de atividades rotineiras a fim de economizar tempo, aumentar a produtividade e potencializar especialistas na criação de materiais e divulgação de informações. No entanto, os humanos são os responsáveis pela checagem, validação de segurança, controle dos dados e manuseio dos conteúdos gerados.
No contexto da comunicação presencial podemos refletir sobre como estamos exercendo nossa presença. É comum que, em momentos de descontração, grupos reunidos para confraternizar e interagir permanecem presos à tela do celular, imersos no mundo virtual. Essa desconexão nos afasta do estado presente e prejudica a construção de vínculos reais. Esse é um desafio da nossa era, que abrange todas as gerações. Por isso, é importante repensarmos esses hábitos e cultivarmos interações mais autênticas para que cada encontro seja vivido na integralidade, pois instantes de interatividade vão gerar recordações; e os momentos são passageiros, mas as lembranças são duradouras.
Na área de legal operations e analytics, destacamos que a análise de dados é permeada por perguntas e respostas, considerando a finalidade e a adequação de cada desenvolvimento, projeto e entrega entre a gestão, fornecedores e times envolvidos. Esse fluxo é essencial para garantir que as operações de dados sejam eficazes e façam sentido aos usuários. Nesse escopo, a IA também pode ser aliada no mapeamento de dados, nos processos e desenhos de etapas. No entanto, a comunicação humana continua sendo o elemento decisivo na cartada final para a execução.
Nesse ecossistema de inovação e tecnologia a vertente da comunicação está conectada em cada etapa operacional. A engrenagem vai sendo complementada pelas respostas e novas necessidades de melhorias contínuas que vão evoluindo na jornada. A pura execução da agilidade!
Saber conversar com a IA é habilidade necessária no aprimoramento de capacitação profissional, mas saber se comunicar com os humanos é ainda mais crucial. A grande reflexão que podemos fazer nesse processo é: queremos ser milionários de perguntas vazias ou de respostas assertivas e produtivas nas nossas interações? Queremos construir diálogos relevantes ou apenas passarmos o tempo sem relevância? Seja no ambiente on-line, presencial ou com a IA, se comunicar com alinhamento direcionado é a chave para gerar resultados. Afinal, a comunicação é um ativo tão valioso quanto bitcoins.